29 de abril de 2019

No Dia de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, Governo reforça alerta para os perigos da pressão alta

O tratamento para a hipertensão envolve medicamentos e atividades físicas (Foto: Márcio Sampaio)

A hipertensão é o mais importante fator para o desenvolvimento de doenças cardíacas, sendo responsável por 40% dos infartos e 80% dos derrames. Nesta sexta-feira (26), Dia Nacional de Combate a Hipertensão Arterial, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) alerta a população em relação aos perigos da doença e para a necessidade de mudanças no estilo de vida tanto para aqueles em tratamento, quanto para as pessoas que querem evitar desenvolver o mal.

Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), a doença acomete uma em cada quatro pessoas adultas. Estima-se que em torno de, no mínimo, 25% da população brasileira adulta e mais de 50% das pessoas com mais de 60 anos possuas a doença. Muitas, entretanto, sequer sabem disso. Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM)/Conecta SUS apontam que, de 2016 a 2018, no Maranhão, 2.573 pessoas morreram em decorrência da doença.

Mas, afinal, o que é pressão arterial? Para o sangue chegar a cada parte do corpo, o coração precisa bombeá-lo. Ao circular, o líquido exerce uma pressão sobre a parede interna das artérias, que, por sua vez, oferecem certa resistência a essa passagem. É essa espécie de jogo de empurra-empurra que chamamos de pressão arterial. Em um corpo saudável, essa engrenagem funciona perfeitamente. Contudo, em alguns casos, vasos são estreitados e a pressão sobe. Quando a pressão arterial, sistematicamente, permanece igual ou maior que 14 por 9, a pessoa é diagnosticada com hipertensão, popularmente chamada de pressão alta.

“A maioria dos hipertensos não sente nada. A elevação vai acontecendo ao longo dos anos e o corpo vai se adaptando. Algumas pessoas podem sentir a dor de cabeça, tonturas, diminuição de acuidade visual, mas nenhum desses sinais é especifico da hipertensão. Às vezes a dor que faz aumentar a pressão e não o contrário. Por isso, chamamos de doença silenciosa”, explica a cardiologista Ilana Rachel Pinheiro Silva, do Centro de Especialidades Médicas e Diagnóstico Dr. Luiz Alfredo Netto Guterres (CEM Diamante).

O recomendável é que os jovens e adultos façam a aferição de pressão, pelo menos, uma vez a cada seis meses. Os hipertensos com a pressão sob controle podem fazer esta medição uma vez por semana. Depois dos 30 anos, todos devem fazer check-up regulares, principalmente, antes de iniciar uma atividade física. Caso haja algum hipertenso entre parentes próximos, as chances de desenvolver a hipertensão aumenta e os cuidados também devem aumentar.

O tratamento para a hipertensão necessariamente envolve o uso de medicamentos. Mas a literatura médica é unânime em afirmar que é preciso haver mudanças significativas no estilo de vida. Com adoção de uma alimentação mais natural, com menos industrializados, diminuição na quantidade de sal dos alimentos – lembre-se que industrializados, incluindo os doces, possuem sódio em sua composição -, inclusão de exercícios físicos na rotina e abandono de vícios, como cigarro e álcool.

“A hipertensão é uma doença crônica, não tem cura. As complicações envolvem desde a diminuição da acuidade visual até a alteração da função renal e cardíaca, infarto e o AVC. Por isso, é preciso aumentar o diagnóstico. O hipertenso não está condenado. Ele pode ter uma vida normal, desde que consiga controlar a pressão”, afirma Ilana Rachel Pinheiro Silva.

Atenção especializada

No CEM Diamante, em São Luís, o Ambulatório de Hipertensão e Diabetes oferece acompanhamento especializado para pacientes hipertensos descompensados (de difícil controle/acima de 18) encaminhados pelas unidades básicas de saúde. No local, o paciente passa em consulta primeiro com um clínico geral, caso persista o descontrole, ele é encaminhado ao cardiologista. Caso seja necessário, o hipertenso acompanhado pelo ambulatório também pode ser encaminhado para outras especialidades, como nutricionista, psicólogo, dermatologista, gastroenterologista, reumatologista, endocrinologista, neurologista, urologista, vascular, proctologista e nutrólogo.

Entrevista com especialista

Nutricionista Gabriel Nascimento, do CEM Diamante (Foto: Rogério Sousa)

Mudanças à mesa trazem efeitos significativos no controle da hipertensão. Mas é preciso mudar mesmo a mentalidade e a rotina para controlar a pressão arterial. O nutricionista Gabriel Nascimento, do CEM Diamante, esclarece algumas dúvidas e dá dicas para controlar a doença e viver com qualidade de vida.

O que deve mudar na alimentação de um hipertenso? É somente a quantidade de sal que deve ser alterada?
Gabriel Nascimento – Popularmente, o sal é a mudança mais conhecida, mas a doença pede uma mudança no estilo de vida completo, não é só alimentação. Ter a prática de uma atividade física com o objetivo de ter um peso corporal adequado, principalmente para reduzir a gordura na região do abdômen, que está ligada ao colesterol alto, pressão alta e outras doenças crônicas. Em relação ao consumo alimentar, além da diminuição do sal, é recomendado restringir o consumo de gordura saturada, industrializados, alimentos processados, que além de gordura possuem muitos aditivos químicos. E aumentar o consumo de alimentos naturais. Existe uma frase que se usa muito: desembalar menos e descascar mais.

Qual é a quantidade de sal ideal para o consumo humano?

Gabriel Nascimento – A recomendação para consumo de sal ao longo do dia é de 5 gramas de sal por dia, mas o brasileiro consome de 10 a 12g. Tem que reduzir. Às vezes, o pessoal em consulta diz que reduziu o sal, eu pergunto sobre outros temperos, como caldos de carne, temperos prontos, que possuem uma quantidade alta de sódio. Muitos têm dúvida sobre refrigerantes diets, sucos… esses alimentos possuem sódio, aditivos também, incluindo os doces.

Hipertensos precisam de acompanhamento de nutricionista? Muitos aderem às dietas “da moda” ou que o amigo faz.

Gabriel Nascimento – Dietas da moda podem pecar pela restrição de alguns grupos alimentares ou pelo excesso de outros. Muitos podem ter noção do que devem fazer, mas muitos fazem algo achando que está fazendo certo, mas está errado. Sempre tem um detalhe importante. É preciso verificar a existência de outras doenças associadas. O ideal é procurar um nutricionista, que vai dar orientações personalizadas.

Daucyana Castro

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