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Projeto realizado nas UPAs pretende captar mais doadores de órgãos no Maranhão
Publicado em 19 de maio de 2025
Projeto realizado nas UPAs pretende captar mais doadores de órgãos no Maranhão

Com o objetivo de melhorar o canal de comunicação entre as unidades de saúde e a Central de Transplantes do Estado, a Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH), lançou o projeto Notifica, Informa e Doa. As ações de sensibilização começaram neste mês de setembro em todas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital e região metropolitana.

“É uma oportunidade para conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e treinar também os profissionais de saúde no sentido de melhorar a identificação de potenciais doadores e, consequentemente, aumentar o número de doações. A doação de órgãos é uma forma de ajudar outras pessoas que estão sofrendo com problemas de saúde e que apresentam como solução o transplante”, frisou o presidente da EMSERH, Marcello Duailibe.

O Gerente de Certificação e Ensino em Saúde da EMSERH, Josafá Marins pontua que o projeto surgiu devido a necessidade de aumentar o número de notificações dos potenciais doadores de órgãos nas unidades. “Estamos fazendo neste primeiro momento esse movimento nas UPAs e esse trabalho deve ser expandido para os hospitais macrorregionais no interior do estado. Temos certeza que a partir deste projeto vai aumentar o número de doações, e consequentemente, mais vidas serão ajudadas”, disse.

O mês escolhido para dar o início à campanha é alusivo ao Setembro Verde, que trata da conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Os colaboradores estão sendo orientados a comunicar os óbitos ocorridos nas unidades para que essas informações possam chegar com a maior brevidade possível a Central de Transplantes do Estado. QR Codes estão sendo disponibilizados nas unidades de saúde para agilizar esse processo e a informação chegar de forma mais célere.

“Nosso movimento é com o objetivo da conscientização dentro das unidades sobre a importância da notificação, mostrar para todo o corpo de funcionários que essa informação é importante, não só para a assistência social e os médicos, mas que deve ser repassada por qualquer profissional a sua coordenação, garantindo assim que a central de transplante fique ciente daquele óbito o mais rápido possível”, frisou a supervisora do Ensino da Gerência de Certificação e Ensino em Saúde da EMSERH, Virgínia Lopes.

Segundo dados da Central de Transplantes do Estado, no primeiro semestre de 2024, apenas 26% das mortes nas Unidades de Pronto Atendimento existentes em São Luís foram notificadas. De janeiro a junho foram contabilizados 574 óbitos com apenas 148 notificações.

“Nossa sensibilização não é só no setembro, ocorre durante todo o ano. Sensibilizamos os profissionais de saúde, mas também a população em geral. É importante e necessário que todos tenham essa informação. Nós temos uma fila de córnea, por exemplo, de 700 pessoas. Enquanto o nosso vizinho estado do Ceará a fila é zero, aqui no Maranhão chega a demorar de 2 a 3 anos para que uma pessoa possa receber o transplante de córnea. Temos uma taxa de 70% de negativas familiares, mas isso está muito ligado a baixa notificação e não por ser um desejo da família, por isso esse trabalho de conscientização é importante”, reforçou a enfermeira da Central Estadual de Transplantes, Mara Moreira.

A enfermeira esclarece ainda que processo de doação de órgão é feito com muita ética, não há deformação do corpo, não há desrespeito. “No Brasil a autorização é dada pela família para doação de órgãos, então precisamos desse entendimento dos familiares”, concluiu.

Nos casos de morte por coração parado, podem ser doadas as córneas, na morte encefálica órgãos e tecidos podem ser doados. Um doador pode ajudar até nove vidas com órgãos, como com um coração, um fígado, dois pulmões, duas córneas, um pâncreas e dois rins.

As córneas do pai da Patrícia Costa foram doadas há 17 anos. Mesmo passado tanto tempo, a filha ainda lembra com emoção quando conversou com a mãe e ambas aceitaram doar as córneas do pai, após a confirmação da morte cerebral do pai.

“Não foi uma decisão fácil, minha mãe não queria, mas eu conversei com ela até que aceitou. Isso representa a continuação, de alguma forma da vida do meu pai, ele falava que os olhos eram a janela para o mundo, e de certa forma isso é a representação da continuidade da vida do meu pai, é um gesto de amor. E eu já comuniquei a minha mãe que caso eu venha falecer quero também ser doadora, tudo pela continuidade da vida”, relatou a pedagoga.

O Brasil possui o maior programa público de transplante de órgãos, tecidos e células do mundo.

No Maranhão, segundo dados do Ministério da Saúde, em 23 anos foram realizados apenas 3.572 transplantes. O órgão mais transplantado foi o Rim, com 759 transplantes e o menos transplantado foi o Fígado, com 17 procedimentos. A Córnea é o tecido mais transplantado, com 2.796 procedimentos.