Prevenção do suicídio: apoio psicológico é fundamental

Cerca de 800 mil pessoas, uma a cada 40 segundos, se suicidam todos os anos no mundo, de acordo com novo relatório sobre a incidência de casos, apresentado esta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O suicídio já é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito.

Os novos dados reforçam a preocupação com o avanço do número de casos em todo o mundo e da necessidade de incrementar campanhas de esclarecimento e prevenção, voltadas, principalmente, para os jovens. “Até pouco tempo, o suicídio era considerado um tabu. Agora, as autoridades políticas, de saúde e a própria sociedade entendem a extrema importância de debater o tema”, avalia o psiquiatra Diogo Monteiro, médico titular da especialidade no Hospital do Servidor, unidade gerida pela Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH).

“O suicídio é um ato extremo de uma pessoa em um grau avançado de sofrimento mental. A pessoa não quer morrer, ela quer acabar com o sofrimento pelo qual está passando, quer acabar com a dor emocional que a consome todos os dias”, esclarece o psiquiatra. “Em 90% dos casos de suicídio há um transtorno mental por trás. Além da depressão, há pacientes com esquizofrenia, transtornos de ansiedade, transtornos de personalidade”, aponta Diogo Monteiro.

No Brasil, o suicídio já é considerado um problema de saúde pública, em razão da grande incidência de casos. De acordo com números oficiais, em média, 32 brasileiros se matam por dia, uma taxa maior do que a de vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer. 

No novo relatório global sobre os casos de suicídio, divulgado esta semana pela Organização Mundial de Saúde(OMS), a taxa de incidência registrada no Brasil ficou em 6,1 a cada 100 mil habitantes, abaixo da taxa média mundial, de 10,5. O relatório aponta uma redução na taxa global de suicídios, porém o continente americano aparece como o único a apresentar crescimento no número de casos.

De acordo com especialistas no assunto, a maioria dos casos de suicídio é causada por doenças mentais que, muitas vezes, a pessoa desconhece ser portador, como a Depressão, por exemplo. “Devido ao quadro depressivo, a pessoa perde a vontade de fazer coisas que gostava de fazer anteriormente; se sente muito cansada, triste todo tempo. A pessoa tem plena noção que está passando por um problema, mas não expõe, e quem está ao redor percebe, mas, muitas vezes, não oferece ajuda”, explica o psiquiatra Diogo Monteiro. “90% dos suicídios poderia ser evitado com ajuda psicológica“, ressalta. “Dai a importância de campanhas como o Setembro Amarelo, que dedica um mês inteiro para falar sobre o problema, estimular a reflexão sobre o assunto e, principalmente, sensibilizar a sociedade para a prevenção”.

De acordo com o psiquiatra, o apoio da família e dos amigos é fundamental no processo de recuperação dos pacientes. “O importante é não virar às costas. É preciso dar atenção, carinho, respeitar o momento daquela pessoa, além, claro, do trabalho de profissionais, como psiquiatras, psicólogos e terapeutas”, alertou o especialista.

Fonte: Núcleo de Comunicação e Marketing/EMSERH