Maranhão inova ao adotar protocolo de saúde mental em hospitais de urgência e emergência

Cinco mil protocolos físicos foram produzidos para distribuição em todo o estado. (Foto: Handson Chagas)

Pacientes de saúde mental que entram nos hospitais de urgência e emergência no Maranhão vão passar a receber tratamento adequado com a implantação de um protocolo de atendimento especializado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).

O Estado se inspira nas experiências do Paraná e de Santa Catarina. “É uma novidade no Maranhão. No Brasil, nós temos poucos estados que tem um protocolo de urgência e emergência em saúde mental”, diz Márcio Menezes, coordenador do Departamento de Atenção à Saúde Mental da SES.

O protocolo orienta o atendimento dos seis principais transtornos que chegam às portas de entrada de urgência e emergência: ‘delirium’, agressividade e agitação psicomotora, risco de suicídio, abstinência alcóolica, intoxicação aguda por álcool e intoxicação aguda por crack e outras drogas.

A cartilha descreve passo a passo o manejo psicossocial, clínico e médico da equipe de saúde com o paciente. Indica a medicação a ser administrada em cada caso, e os 76 serviços de saúde mental para onde o paciente pode ser encaminhado.

Protocolos são de fácil leitura e qualificam o atendimento, segundo Márcio Menezes. (Foto: Handson Chagas)

Avanço

Segundo Márcio Menezes, as orientações do protocolo representam um avanço para a saúde pública do Estado, pois qualificam o atendimento e reduzem o sofrimento dos pacientes de saúde mental e seus familiares.

“O que acontece desde sempre é que a pessoa em surto psicótico ou outro problema de saúde mental no interior do estado é colocada em uma ambulância para percorrer 200, 300, 400 quilômetros e ser internado no Hospital Nina Rodrigues”, explica Menezes.

Ainda segundo Menezes, na unidade psiquiátrica o paciente é atendido e medicado até ficar estável, em um período de aproximadamente três dias para, só então, voltar à cidade de origem, onde o tratamento será continuado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

Com o protocolo, o paciente não precisa ser deslocado, pois recebe atendimento qualificado na porta de entrada da urgência e emergência da sua cidade, com o acompanhamento da família e encaminhamento mais rápido ao CAPS do município.

Próximos passos

A meta do Governo é levar o protocolo para as quase 200 unidades de urgência e emergência do Estado até o final deste ano. As cinco mil cartilhas com o conteúdo do protocolo já começaram a ser distribuídas.

As primeiras unidades contempladas foram as seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de São Luís, no início de março. Imperatriz é o próximo município a receber as cartilhas e capacitação da Coordenação de Saúde Mental do Estado.

A SES vai monitorar a execução do protocolo em visitas periódicas aos municípios. Uma versão em PDF também está sendo elaborada para facilitar o acesso dos profissionais ao conteúdo do protocolo durante o atendimento.

“Não precisa de um curso, o protocolo é autoexplicativo. Basta que o profissional abra durante o atendimento e faça uma leitura, é bem acessível”, comenta o coordenador de Atenção à Saúde Mental do Estado.

Ele acrescenta que a próxima etapa é elaborar um protocolo de saúde mental para atuação das equipes de saúde da família. “Assim a gente percorre o caminho de atenção básica, média e alta complexidade, e qualifica todo mundo. Será um avanço muito grande para o Maranhão”, pontua.

“O apoio do Governo do Estado aos municípios, que se queixam muito de não poder atender a saúde mental porque as portas de entrada não são capacitadas, com esse protocolo de bolso, é a ferramenta que faltava”, finaliza Márcio Menezes.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde (SES)