Hemomar recebe doações de sangue de público LGBTQ+

“Eu estou muito feliz mesmo em poder ajudar, em poder está doando sangue e mostrar para à população de São Luís, do Brasil e do mundo, que é possível sim uma mulher trans ser doadora de sangue e ajudar a salvar vidas”, comemorou a técnica em enfermagem Pâmela Martins. Transsexual, ela era impedida de doar sangue pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), por meio da Resolução RDC nº 34/14, e pelo Ministério da Saúde (Portaria nº 158/16). Nesta segunda-feira (22), ela protagonizou um momento histórico ao doar sangue no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Maranhão (Hemomar).

Com o fim das restrições impostas, o hemocentro, gerido pela Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH), adequou seu protocolo, extinguindo as restrições que determinam que homens que mantivessem relações sexuais com outros homens nos últimos 12 meses não pudessem fazer a doação.

“Eu me sentia uma pessoa impossibilitada ajudar as pessoas. Agora a gente já sabe, nós LGBTs, nós podemos ajudar pessoas principalmente neste momento de pandemia, quando a gente sabe que está faltando sangue”, declarou o autônomo Luís Fernando Costa.

Segundo coordenadora do Setor de Captação do Hemomar, Frassinete Araújo, as doações do público LGBTQ+ vai ajudar aumentar as doações e garantir um reforço no estoque de bolsas de sangue, que caíram significativamente nos últimos meses, devido a pandemia do coronavírus.

“A gente espera que aumente bastante, porque a demanda por sangue é contínua. Com a pandemia provocada pela covid-19, em várias situações a demanda até aumentou de pessoas precisando de sangue “, explicou.

No Brasil, menos de 2% da população doa sangue com regularidade, segundo balanço do Ministério da Saúde, quando o ideal seria pelo menos de 3% a 5% da população brasileira. Por conta da extinta restrição a homens que fazem sexo com homens, o Brasil perdia por ano cerca de 18 milhões de litros de sangue.

Para a doação de sangue, os voluntários podem agendar pelo WhatsApp (9162-3334) ou se dirigir ao Hemomar ou aos Hemonúcleos no interior do estado. Os critérios continuam os mesmos, isto é, ter idade entre 16 e 69 anos, se menor de 18 anos precisa estar acompanhado de um responsável; pesar mais de 50 kg; não ter ingerido álcool nas últimas 24 horas; estar em boas condições de saúde.