Em 4 anos, qualificação da rede materno-infantil muda assistência em saúde no Maranhão e salva vidas

Nos últimos quatro anos, o Governo do Maranhão consolidou medidas na área materna-infantil com foco na redução da mortalidade e na ampla promoção do acesso à rede estadual de saúde. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) estabeleceu três eixos assistenciais demarcados pelo ciclo de vida reprodutivo da mulher, são eles: planejamento reprodutivo, fortalecimento da atenção básica no pré-natal e puerpério e a descentralização da assistência ao parto por meio da regionalização do acesso em todo o Maranhão. O conjunto de medidas culminou com a redução de morte materna e mais condições e acesso à saúde para as gestantes.

Para o secretário estadual de Saúde, Carlos Lula, esta redução é reflexo do investimento do Governo do Maranhão em diversas ações estratégicas na capital e interior. “A gestão tem sido cada vez mais capilar nos diferentes municípios do Maranhão. A Regional de Saúde de Balsas é uma ilustração disto. São 365 dias sem uma morte materna, sem que uma família destas cidades do sul maranhense sofra a perda de uma mãe, 365 dias em que o dia do nascimento da criança é motivo de felicidade e somente isso”, declarou.

No planejamento reprodutivo, tendo em vista o grau de autonomia da mulher em decidir o momento ideal da gravidez, a SES com a Organização Mundial de Saúde (OMS), implantou Centros Sentinela. O equipamento de atenção básica contribui para reduzir mortes e a gravidez não planejada, além de garantir direitos sexuais e reprodutivos das mulheres maranhenses.

O Maranhão possui três Centros Sentinelas de Planejamento Reprodutivo instalados na rede estadual: Maternidade Benedito Leite (São Luís), Hospital Regional de Balsas e Maternidade Humberto Coutinho (Colinas). Todos os centros contam com equipe multiprofissional formada por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e assistente social. Além do aconselhamento de planejamento reprodutivo, o serviço oferece inserção de DIU (Dispositivo Intrauterino), distribuição de métodos contraceptivos, e assistência à saúde para mulheres em situação de abortamento e que sofreram violência sexual.

Maternidade do Hospital Regional de Balsas realiza 260 partos por mês. (Foto: Divulgação)

“O Centro Sentinela tem mudado a vida das mulheres. Eu escutava muito que a inserção do DIU não daria certo e que as maranhenses não iam procurar este método contraceptivo. Existia um problema de oferta. Abrindo o serviço, elas têm a oportunidade, sem preconceito e sem constrangimento, de decidir quando e se querem ter filhos. É um direito”, informou o chefe do Departamento de Atenção à Saúde da Mulher da SES, Ananda Beatriz Marques.

Camila Sousa foi uma das primeiras mulheres a inserir DIU no Centro Sentinela de Colinas. “Já tive dois filhos e ainda estão bem pequenos, não tenho mais condições financeiras de ter mais um. Quando soube desta oportunidade gratuita de colocar DIU não tive dúvidas e busquei atendimento. Fico mais tranquila agora com o método”, afirmou Ananda Beatriz Marques.

A parceria entre o Maranhão e a Organização Mundial da Saúde (OMS) começou em 2016 por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço regional da ONU. A OPAS é a entidade internacional de saúde pública mais antiga do mundo. O acordo de cooperação busca reestruturar a Rede de Atenção Materno Infantil em todo estado. “Nesse sentido, são implementadas ações para o cuidado da mulher, com a qualificação da atenção pré-natal e o fortalecimento de iniciativas de planejamento reprodutivo”, pontua o titular da SES, Carlos Lula.

A nova rede materno-infantil passou a contar com a implantação de leitos de UTI Materna na Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão; a reinauguração da Maternidade Nossa Senhora da Penha, em São Luís; entrega do Hospital Regional de Balsas e da Maternidade Humberto Coutinho, em Colinas; reforma do Hospital Materno Infantil de Imperatriz e do Hospital Regional Adélia Matos da Fonseca, em Itapecuru-Mirim; e a inauguração da Casa da Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP) Dra. Eimar de Andrade Mello, em Imperatriz são algumas das macro medidas do Governo do Maranhão para estruturar a rede de assistência materna.

Estatísticas

Maternidade Humberto Coutinho em Colinas. (Foto: Divulgação)

Houve redução dos números de mortalidade materna, no comparativo de 2014 e 2018, por regional de saúde no Maranhão, segundo o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e de Nascidos Vivos (Sinasc). Outro dado aponta que de 111 mortes em 2015 caiu para 66 até a primeira semana de dezembro passado. O destaque vai para a maternidade do Hospital Regional de Balsas. A unidade em funcionamento há 14 meses realiza 260 partos por mês e não tem registro de morte materna há mais de 360 dias.

Essa conquista reflete o avanço do processo de Planificação da Atenção à Saúde no município de Balsas. Proposto pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e adotado pelo Governo do Maranhão, a Planificação é uma estratégia para transformar os processos de trabalho, dentro dos princípios e diretrizes do SUS.

O diretor do Hospital Regional de Balsas, Eliabe Wanderley, atribui à redução da mortalidade materna a política de assistência pré-parto, parto e planejamento reprodutivo. “A chegada do Centro Sentinela assegura o direito a mulher da escolha planejada da gravidez. Além disso, os novos leitos garantem maior assistência à mulher em parto e pós-parto. É uma mudança na vida reprodutiva para as mulheres da região”, disse.

Em sua terceira gestação, a dona de casa Olívia Ousa, 36 anos, moradora de Balsas, apresentou a Síndrome de Hellp – complicação obstétrica grave, pouco conhecida e de difícil diagnóstico, geralmente aparece com quadro de pré-eclâmpsia. Ela precisou fazer parto com urgência e ainda teve de passar por histerectomia. “Meu quadro era grave e fiquei na UTI, assim como meu bebê também, por mais de dez dias. Se não fosse a assistência completa que tive na maternidade de Balsas, eu ou meu filho íamos falecer. Foi uma assistência integral e me senti em uma unidade de saúde particular”, contou.